31 julho 2008

TROPEÇO COMEÇO

Como as risadas e alegria alheia me irritavam causando profunda frustração e mais tristeza! Um dia estava tentando estar na Faculdade, era intervalo e ao me deparar com tantos jovens como eu vivendo suas vidas, rindo, comendo e interagindo fiquei pior do que já estava. Embarquei em uma fase intolerante comigo mesma, não me aguentava mais com tanto choro e drama.
Passei a adolescência péssima sendo chamada de aborrecente e tendo certeza de que o problema era eu: eu era errada, eu era um porre, não dava valor ao que tinha, enfim estava impregnada das opiniões alheias que nada tinham de acolhedoras. Assim passei a me cobrar cada vez mais e nessa ocasião achava que era hora de sacodir a poeira e ficar bem, não sabia que estava doente. O que estava fazendo comigo era tão cruel, seria o mesmo que exigir de um paralítico que andasse. Com a cabeça cheia e o coração explodindo subi para a biblioteca chorando, um choro que tenta ser disfarçado, no estilo "entrou um cisco no meu olho", se bem que no meu caso seria um elefante mesmo, porque as lágrimas despencavam e jamais passariam despercebidas. Logo na entrada da biblioteca tropecei e tentando me equilibrar fui parar debruçada em uma mesa na qual havia uma Revista Veja com uma matéria de capa escrita: Depressão. Em um impulso peguei a revista emprestada sem ter a intenção de devolvê-la e fui para casa. A matéria era muito explicativa com teste para verificar se o leitor apresentava alguns dos sintomas, claro que eu apresentei todos e mais alguns que não estavam lá e o mais interessante consegui ter uma certa concentração para ler a reportagem toda. Não me senti nada confortada por saber que estava doente, ao contrário tudo o que desejei naquele momento foi ter um pai presente para o qual pudesse ligar pedindo socorro, já que sentia por ter que comunicar a minha mãe amada que a filha caçula dela estava doente, de uma doença invisível. Recordo-me dessa sensação, da vontade que tive de ligar para o meu pai, que assim como a minha mãe era médico. E liguei, mas ele não pôde ou não quis atender e nunca retornou minha ligação. Claro que fiquei bem! Bem péssima e passei a fingir para mim mesma que estava melhorando, que não tinha doença alguma, embora guardasse a revista comigo.

Um comentário:

Nahid el Helwa disse...

É impressionante como nós e principalmente as pessoas tendem a negar isso.Tbm me vi com essa amiga não querida(depressão) ao meu lado.Tive várias crises e as pessoas a minha volta me diziam que isso era besteira,ouvi até dizerem que era "frescura".Graças á Deus eu sozinha fui atrás disso.Como não tinha condiçoes de pagar médico me inscrevi em hospitais e faculdades para ter um tratamento gratuito.Melhorei muito mas digo.........Ás vezes sinto ela muito próxima de mim.