10 março 2011

CAIR DO CÉU É BOM!

Ganhei um salto de pára-quedas de presente e brinquei que no meu caso sairia com desconto pois seria um salto sem pára-quedas, logo não precisaria de um instrutor. Tudo mais barato. Quem não me conhece e me ouve falar assim pode não simpatizar com meu humorzinho negro, mas quem conhece meu histórico pode até achar graça da brincadeira.

Convivo desde criança com uma doença agressiva envolta em tabus e preconceitos, que muitos até hoje acham não ser doença e apenas frescurite: a dona Depressão. Desde a infância enfrento o mal estar e os estragos causados pela dita cuja. Aos dezoito anos beirando o desespero de ter que conviver com um mal estar que parecia não passar nunca tentei me matar uma vez e não fui bem sucedida. Mas, persistente como sou, tentei de novo. Obviamente se aqui estou é porque algo deu errado novamente, o que não me impediu de planejar ao longo de minha vida vários suicídios, prova disto são os diversos e-mails e cartas de despedida que escrevi.
Hoje me sinto bem, mais ainda quando vejo o rumo que este projeto Pensamentos Filmados está tomando; já encontrei um conjunto de tratamentos que tem me ajudado muito a melhorar a cada dia; minha família tem me dado muito apoio e estou rodeada de amigos sinceros e verdadeiros que me respeitam como sou. Foi um desses meus amigos queridos, que chamo de marido, que me presentou com o salto de pára-quedas.
Quando estava preechendo o termo de responsabilidade li que o esporte tem riscos que podem causar morte e deixar graves sequelas, mas até aí a minha vida tem sido o esporte de mais risco, para quem já tentou tirar a própria vida aquele parágrafo não impressionou. O que me impressinou é que eu menti! Eles perguntavam se eu tinha algum problema de saúde, psicológico e eu não mencionei a Depressão, fingi que era muito saudável! Mas depois expliquei para mim mesma que eu menti porque sei que estou bem melhor, e até explicar tudo poderia acabar sendo privada da aventura de cair do céu.
E a experiência foi maravilhosa. Dentro do aviãozinho fui sentada do lado do piloto, e o único nervoso que sentia era quando olhava para trás e via no chão umas 15 pessoas sentadas apertadinhas, aí me dava vontade de abrir a portinha e sair voando sem pára-quedas mesmo, porque não gosto de gente tudo junto assim. A solução era olhar pela janela e ver o céu ou me distrair com o painel do avião. Então meu instrutor me chamou para nos preparar, e como sabia que jajá todos estariam “caindo como cocozinhos” do avião, como meu amigo descreveu, eu não fiquei nervosa de ficar ali no meio daquela pequena multidão. Todos saltaram e na minha vez fiquei bem na beirada da porta, tomando aquele vento gelado gostoso no rosto, no meio do céu a uns 12 mil pés (é pé pra caramba, é muito alto!!!), esperando o momento de me jogar e pensei, “nossa não tem como último que sair fechar a porta, então o piloto vai ter que voltar com ela aberta!”. E assim caí também, que sensação gostosa! Na queda livre uma emoção tão forte que me fez gargalhar. E depois o pára-quedas abriu e aquele vôo me era familiar, igualzinho nos meus sonhos em que estou planando no ar. E quando chegamos no chão caímos gostosamente deitados, como o instrutor havia me orientado.
A sensação depois foi de relaxamento total, exatamente como fico depois de uma boa meditação, a cabeça em paz. Então pensei: que pena que não experimentei isso na época em que estava bem mal da Depressão, porque com certeza teria me ajudado!
E resolvi pesquisar para ver se existe algum estudo que relaciona saltos de pára-quedas com melhora da Depressão e não é que achei! Gente esse mundo tem muita coisa bacana pronta para ser explorada!
Ah! E não quis tirar foto nem ser filmada durante o salto, é que não gosto muito desse tipo de recordação, uma das minhas idiossincrasias…
bjoka
Texto de Breno de Castro Alves
“Ao atirar-se para o que seu inconsciente interpreta como morte certa, o pára-quedista passa por uma experiência intensa, da qual ele emerge como outra pessoa. A sobrecarga sensorial que ele vivencia no breve tempo provoca mudanças neuroquímicas em seu cérebro, durante e após a experiência.
O psiquiatra com mestrado em psicologia, Dr. José Paulo de Oliveira Filho, percebeu o potencial terapêutico desses saltos há alguns anos. Ele indicou o pára-quedismo sem muita pretensão a um paciente deprimido, potencialmente suicida, que gostou da idéia e resolveu experimentar. “Ele readquiriu uma autoconfiança que lhe faltava antes. Seu humor melhorou significativamente depois de alguns saltos”, constatou o médico.
Assim nasceu o “Projeto Phoenix”, que já apresenta resultados positivos com os saltos de 28 pacientes. Segundo Dr. José Paulo, “O projeto utiliza o pára-quedismo como instrumento de terapia para a análise e tratamento de estados alterados de consciência, como transtornos emocionais e dependência química”.
O dependente químico usa a droga buscando algo como esses estados alterados de consciência, onde ele possa se distanciar de tudo. “Mas ele suspenderá o consumo quando tiver ampliando seu campo de consciência e criado uma personalidade mais organizada”, afirma o psiquiatra.
O paciente Thiago Braga, ex-viciado em cocaína, atesta a eficácia desta teoria. Para ele, o pára-quedismo “é uma sensação de liberdade total. Percebi como meus problemas eram pequenos ao ver um prédio de 30 andares do tamanho de uma formiga. Me senti, livre, desconectado de tudo”.
Esse tipo de terapia é indicado a pacientes que apresentam transtornos de origem externa, cultural, os chamados transtornos psicogênicos. Tais problemas podem ser um luto patológico, uma depressão reativa a uma determinada situação estressante ou uma depressão existencial em face de um momento que se vive, entre muitos outros fatores possíveis. São alterações episódicas, diferentes dos transtornos mentais de fato, que são doenças causadas por disfunções neuroquímicos no cérebro.”
Pára-quedismo e mitologia

No pára-quedismo você vive em cada salto uma experiência de morrer e renascer. “Sair pela porta de um avião a 12, 14 mil pés de altitude, faz você passar por um ritual de morte”, afirma o psiquiatra. Ao cruzar essa idéia com seus conhecimentos de culturas xamânicas, o Dr. José Paulo aponta um ponto comum. “Quando o jovem vira guerreiro, quando o casal vai casar eles são separados da tribo, em rituais de passagem, que não deixam de ser um ritual de morte e de renascimento. E o pára-quedismo propicia claramente isso, um renascimento a cada salto”. Mesmo sabendo que a morte é muito improvável, não é isto que o corpo percebe. Ao saltar de um avião alguns quilômetros acima do solo, a sensação é a de um pulo para a morte.

Além disso, durante a queda livre ele experimenta uma espécie de desejo ancestral, comum a quase todas as pessoas. Por um breve período de tempo ele voa, assim como Ícaro. Personagem da mitologia grega, Ícaro foge de um labirinto voando com asas artificiais. Porém, fascinado com a situação, ignora os conselhos de seu pai e voa alto demais. O calor do sol derrete a cera que unia as penas à asa e Ícaro despenca para a morte.

Diferente do mito, o pára-quedista chega ao solo e renasce das cinzas, como a igualmente mitológica ave Fênix, que empresta seu nome ao projeto.

Dentre todos os esportes radicais, é o pára-quedismo é que propicia essa experiência mais claramente. “Apesar de saber que é um esporte seguro, que tem um pára-quedas reserva, que tem um dispositivo eletrônico que aciona automaticamente seu pára-quedas, apesar de você saber tudo isso, seu inconsciente não sabe”.

Mas o recurso ao pára-quedismo como meio de atenuar os efeitos da depressão não serve para todos os casos. “A rigor, o tratamento de depressão é feito com antidepressivos e psicoterapia”, afirma o Dr. Rodrigo da Silva Dias, psiquiatra e colaborador do grupo de doenças afetivas (GRUDA) do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Esse tipo de atividade serve como tratamento paralelo, mas nunca deve ser visto como um remédio”, afirma. Para 
ele, o pára-quedismo é uma atividade lúdica e, como muitas outras, pode ter um efeito positivo em alguns casos psicogênicos leves, que também responderiam bem a outros tratamentos, como yoga, psicodramas ou até mesmo a própria psicoterapia.

Rodrigo ainda alerta para a necessidade de acompanhamento médico responsável no uso do pára-quedismo como terapia. “Meu medo é que o sujeito que brigar com a namorada e ficar deprimido vir a saltar de pára-quedas buscando uma cura fácil. Ele só vai afundar na própria angústia”, afirma.

A psicóloga clínica Dolores Lemos tem um posicionamento mais otimista em relação à prática. Para ela, o pára-quedismo pode, sim, funcionar como meio de controle de uma crise do paciente, já que o coloca em contato com seus medos e o faz enfrentá-los.

Porém, sem resolver a causa primeira do problema, o paciente fica sujeito a outras crises em algum momento de grande tensão. “Todo distúrbio psíquico tem uma causa, algo na historia do indivíduo que desencadeou o problema. O pára-quedismo trata apenas o sintoma e não atinge a causa”, diz.

Dolores concorda com Rodrigo ao defender tratamento profundo, mas discorda sobre o método. “O pára-quedismo é igual a remédio psiquiátrico. Você pode tomar o remédio para cuidar do sintoma, mas se não for buscar a causa vai ficar dependente do remédio toda a vida”, afirma. 

6 comentários:

Rick disse...

Também quero saltarrrrrrrrrrrrrr !
Seu post me deu muita vontade de ter essa experiência. Bjs

LuZ disse...

Aaaadocicaaaa!!!
Que delicia de post! Que delicia de salto!!!
Adore!
Sodade, sodade, sodade!!!!
beijos

Alyson Daas disse...

gente saltem!!!!!
é uma das melhores experiencias que ja tive!!!!!!!!
nossa quero ir de novo!!!!!!!!
a empolgada, né!
hahahahhha
bjokas

Maria Helena disse...

COMO??????????Vc salta de paraquedas e nem avisa a família?Quim,seu irmão,tbém ''saltante'',pelo menos avisou.Q horror!!!!!
Uma sra ,ao fazer 70 anos,quis como presente um desses saltos.Vi na TV.Ela,toda feliz...Bjão

Guiiiiiiiiiido is my name! disse...

CAIR DO CÉU É INEXPLICÁVEL! QUE BOM QUE TE FEZ BEM! ASSIM, QUANDO A NAVE MÃE VIER TE BUSCAR VC PODE PULAR DELA E CAIR DO CÉU DE NOVO!

BEIJOS!

Alyson Daas disse...

hahahah!!!!!!
pois é mamis comentei com a sua mãe que preferia nao saber! hahahahahahahahaaha!!!!!!!!

e guiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiido se a nave mae vier imagina que eu vou pular dela, de jeito nenhum!!!!!!!!!! me agarrei a ela com todas minhas forças!!!!!!!!! hihihihih obrigada amore! foi bão dimais! ate agora fico relembrando a queda...

bjoka