05 fevereiro 2011

VIDAMORTE

O mal estar da Depressão fez com que desde a infância vivesse pensando em morte, aliás este é um dos sintomas da doença: obsessão com morte. Minha mente era muito viva para imaginar a morte. Quando não era a minha era a de pessoas queridas: "e se minha mãe morrer do nada? ela tem pressão alta, pode ter um infarto!"; "e se minha irmã morrer hoje na viagem para Curitiba?";  "e se meus avós sofrerem um assalto em São Paulo?" "E se minha super amiga sofrer acidente de carro e morrer?, como tantos amigos das minhas irmãs que já morreram!", aliás na cidade aonde cresci, Ourinhos-SP, vi muitos conhecidos falecerem com muito pouca idade. Um deles foi o melhor amigo de uma das minhas irmãs, que na época tinha apenas 18 anos. Lembro do velório dele: eu chorei muito, não pela morte dele e sim de ver o sofrimento da minha irmã e de raiva da vida: "que absurdo existir  a morte! Pra quê esse circo todo se vamos todos morrer!" E assim começava minha crise existencial, tão explorada pelos filósofos... 

Com o tempo aquilo que tanto me atormentava - a finitude da vida - passou a ser a minha busca: eu queria morrer porque não aguentava mais tanto mal estar! Fosse nos "rachas" de carro que tirava; ou na combinação: bebida alcoolica + dirigir; ou nas transas sem camisinha esperando pegar uma "doença de verdade" que justificasse aquele mal estar todo, até culminar nas tentativas diretas de suicídio: tomando vários comprimidos de remédios controlados ou tentando cortar o pulso, o pescoço...
De fato eu já morri nessa vida, várias vezes. Tenho a sensação de ter vivido dez encarnações em uma e uma das grandes transformações que testemunhei em mim foi que aquela raiva da vida por ter a morte embutida, se transformou em respeito. Hoje sinto que para viver a vida plenamente é preciso ter olhado também para a morte, aceitar que ela vem no pacote e que ela não é algo pesado e sim apenas emocionante. Um fim de um ciclo, como tantos que temos ao longo da vida. 
Não somos ensinados a pensar na certeza da morte e sim temê-la, porque se fosse o contrário, se aceitássemos nossa condição de meros mortais, isto traria um modo de vida totalmente diferente, inclusive economicamente falando, mas isto é outra história...
Para aqueles que não sofrem de transtornos mentais, porque para estes é mais difícil, tem um exercício interessante que é: imagine um dia ao acordar, você agradece por estar vivo mas também encara a possibilidade desse ser o seu último dia vivo na Terra, sem rebeldia com o fato, sem querer "apavorar", apenas aceitando-o. Com certeza o modo de vivê-lo é diferente, o modo de se relacionar com as pessoas muda, seu coração fala mais alto que sua cabeça, e você vive o momento presente tão intensamente que vidamorte, assim mesmo tudo junto, derruba a máscara da feiúra para você, revelando a verdadeira beleza da existência, a qual precisa ser resgatada por cada um de nós, porque há centenas de anos ela foi distorcida por nossa sociedade imatura...




Para meus queridos que tiveram entes queridos que se foram, saibam que eles tiveram muita sorte de tê-los e que a emoção desse ciclo que se encerra é muito bonita e merece ser vivida! É só assim que ela pode ensinar alguma coisa...

10 comentários:

Dom Verazzio disse...

Esses pensamentos de morte sempre estiveram na minha cabeça, desde pequenoHoje sei que sofro de depressão desde muito cedo. trentei negar, evitar, curar sem admitir que tinha. Só hj consigo encarar essa realidade. Minha imaginação é muito visual, então eu literalmente "via" a morte de alguém ou minha própria. Sangue, acidentes, tiros, cortes a faca sempre fizeram parte das coisas que, diarimante, penso, imagino, visualizo... Me acostumei a isso, como um cineminha passando na minha cabeça. Deixo ele lá, rodando, sem dar muita importância. Mas é chato. E inevitável, ao passar por um viaduto bem alto pensar: e se eu me jogasse agora? Morreira na hora? Sofreria? Teria chances de sobreviver? e como receberiam a noticia do meu suicído? Enfim, não me joguei e tô aqui pra contar. Muito bom seu blog!
Rick

LuZ disse...

Oi amore,
Lindo texto! Alias seus textos estão muito bons, cada vez mais!
Quanto a morte, sempre temi a perda, a morte dos outros, a minha morte não tinha muita importância, até porque ja desejei muito morrer...
E apesar de lidar melhor com tudo isso hoje, ainda acho tão injusto quando vejo pessoas novas vivendo bem, com entusiasmo e alegria, de repente, morrerem... porém, não me revolto mais como antes, aceito.
Como vc disse, a morte faz parte dos ciclos da vida, todos viemos ao mundo com a morte inclusa no "pacote", sem no entanto sabermos qual é a nossa data de validade... podemos com certeza direcionar nossa vida de outra maneira se a cada dia tivermos a consciência de que os instantes a viver podem ser os ultimos...

Sodade!!!

beijos

Luana disse...

Pra mim, sempre foi difícil lidar com o fato de que a morte existe e é nossa única certeza! Apesar de por várias vezes durante meus dias me pegar pensando nela de todas as formas possíveis (sendo minha morte ou de pessoas próximas)...
Acredito, ou melhor, espero que um dia todos nós aprendamos a lidar com essa certeza que, como disse, faz parte dos ciclos da vida. É complicado lidar com perdas, sejam elas quais forem, mas é preciso que se aprenda a viver/conviver com tudo...quem sabe assim nossa existência se torne ao menos suportável!

Adoro seus textos, continue escrevendo sempre...

Beijos

Alyson Daas disse...

luana,
antes achava tb que a existencia era terrivel, um peso, etc
mas com tanta meditação sinto q nossa existencia é mto bela!
o que atrapalha tudo é esse modo de vida insano e imbecil q existe ha centenas de ano somado a esse sistema financeiro biruta que ou massacra e /ou sonambuliza a maioria. (deixa o povo anestesiado, parecendo zumbi!)
mas tudo evolui, é a natureza da vida: evolução, a passos de formiga, mas esse é o caminho natural!
bjoka

Luana disse...

A existência não deixa de ser bela apesar dos ciclos, portas abrindo e fechando...e a maneira estúpida que a sociedade vive, sempre viveu e de certa forma, nos obriga a viver! Vai ver é isso que torna as coisas tão mais difíceis mesmo quando essas parecem simples...só não podemos desanimar frente as dificuldades e/ou obstáculos.
Vemos isso quando estamos dispostos a enxergar a beleza que há em cada coisa que nos acontece.
E sim, tudo evolui tal qual manda a natureza...nem sempre pra melhor, mas sempre evolui mesmo que a curtos passos. Basta saber olhar as vantagens de cada passo da evolução, observar e tentar concertar os que acabaram sendo em falso...não digo que assim chegaremos a perfeição um dia, mas quem sabe não cheguemos no mínimo próximo do que é bom para todos ou de um mundo melhor (como gostam de frisar algumas pessoas) não é mesmo?
Enquanto isso vamos existindo, vivendo, aprendendo, conhecendo, terminando capítulos, começando novos, mudando...e contribuindo com a evolução!

xD

Alyson Daas disse...

luana acho isso tb!
por isso tenho gostado mto do que tenho lido nesse movimento:
http://movimentozeitgeist.com.br/objetivo
bjoka

Alyson Daas disse...

rick seu blog tb é mto bom!!!!
e realmente não há cura se não aceitamso de verdade que temos a doença... não há cura se não mergulhamos no auto conhecimento...
c cuide!
bjoka

Alyson Daas disse...

luz
é isso mesmo, a data de validade nao sabemos, então pq a maioria das sociedades vivem desse modo tão besta, né!
gente pode ser que nesse momento q escrevo um avião caia na minha cabeça! e isso não é ser pessimista, ao contrario é ser realista e usar essa consciencia para se viver plenamente cada momentinho do dia! de acordo com a minha natureza e a minha real vontade...
valeu luz!
bjoka

Cris disse...

Caramba um avião, não ser pessimista é cair um boeing e não um teco teco.rsrs

Ps: Saudades das nossas trocas de emials.

Bjos
cris

Alyson Daas disse...

cris!!!!
saudade tb menina!!!
esperando minha carta de alforria pra gente c encontrar! hahahah
bjoka